domingo, 13 de novembro de 2016

maio de 2008




lembro-me sempre e nunca me vou esquecer. há coincidências estranhas ou então não há coincidências. as coisas acontecem porque têm um motivo para acontecer, seja ele bom ou não.
é o percurso natural da vida.

estavámos em maio de 2008 o dia nasceu calmo numa aldeia da Beira Baixa, era um dia de primavera frio, mas o sol estendia os seus raios pelas oliveiras que serpenteavam os montes. deixei-me ficar na casa dos meus avôs fui ao quintal apanhar ar frio na cara e para me sentar no banco de pedra como tantas outras vezes o fiz, mas desta vez era diferente, os meus avôs já não estavam presentes. fiquei à mesa a olhar para a janela da cozinha e a lembrar-me de quando a minha avó abria a janela e deixava escapar os cheiros deliciosos do almoço. lembro-me como se fosse hoje.

aproximou-se a hora, estavam todos na capela e eu fiquei em casa a descansar, deitei-me na cama e o meu irmão ficou ao meu lado. chorei, chorei muito, não conseguia controlar os sentimentos e a dor que carregava. tocava na barriga para consolar a M., nesta altura estava grávida de 5 meses. 
ao longe comecei a ouvir o choro das pessoas quando começaram a sair da capela, nesse exacto momento senti a M. pela primeira vez. chorei ainda mais. 

a M. nasceu no dia 1 de outubro de 2008.










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