sábado, 29 de novembro de 2014

Mais Alto



Mais alto, sim! mais alto, mais além 
Do sonho, onde morar a dor da vida, 
Até sair de mim! Ser a Perdida, 
A que se não encontra! Aquela a quem 

O mundo não conhece por Alguém! 
Ser orgulho, ser águia na subida, 
Até chegar a ser, entontecida, 
Aquela que sonhou o meu desdém! 

Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível! 
Turris Ebúrnea erguida nos espaços, 
A rutilante luz dum impossível! 

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber 
O mal da vida dentro dos meus braços, 
Dos meus divinos braços de Mulher!
 
Florbela Espanca

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